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Alfabetização Multissensorial: levando seu aluno ao nível alfabético rapidamente.

Alfabetização Multissensorial: levando seu
aluno ao nível alfabético rapidamente.

 

Leia o texto abaixo para entender mais sobre a alfabetização multissensorial.

Tenho percebido muitos amigos e colegas de profissão um pouco
preocupados, pois o tempo está passando e as crianças estão evoluindo
pouco, no que diz respeito à alfabetização. Muitos dão aula para o 2º ou 3º ano
do Ensino Fundamental, do ciclo de alfabetização e recebem crianças com
muitas dificuldades nesse processo. Alguns não sabem o que fazer e outros já
estão descobrindo como fazer seus alunos melhorarem suas dificuldades. A
grande maioria sempre me questiona o que devem fazer para que essas
crianças caminhem em direção à superação dessas habilidades ainda não
desenvolvidas.

Percebo então, que muitos professores estão sem ferramentas, e vivem
esta mesma dificuldade, onde a turma pouco avança e muitas vezes a turma é
bem numerosa, assim acabam colocando a culpa no número de alunos que
têm na turma. Mas em contrapartida observa-se que há professores com
turmas com poucos alunos onde este avanço também é baixo. Chego à
conclusão que o problema não está na quantidade de alunos, o problema maior
são professores pouco instrumentalizados a entenderem como funciona todo o
processo da alfabetização.

Meu objetivo aqui não é falar da alfabetização em si, mas sim trazer uma
esperança, de que há uma saída para esses profissionais. Não é preciso que o
professor se desespere, basta que ele compreenda porque essas crianças
estão dessa maneira. Se pararmos para verificar nos estudos de educadores
relativos a alfabetização, é necessário que entendamos que existem etapas
dentro do processo de aquisição da leitura e da escrita.

A primeira coisa que precisamos compreender sobre esse processo é
que não é algo natural, não basta a criança ter contato com textos, ouvir
músicas, recitar poemas, não é assim que se faz a alfabetização, isso faz parte
do processo mas somente isso não trará resultados. Não é pela memorização
de palavras ou de sílabas que se faz um processo de alfabetização com sucesso, ou seja, não é com base em memória, é necessário que a criança
faça, mas somente isso não é o processo.

E o que fazer para que essas crianças avancem nesse processo?
Primeiro é preciso compreender o que significa cada uma dessas etapas e
segundo é necessário criar possibilidades para que essas crianças avancem
nessas etapas, no que diz respeito às hipóteses de escrita.
Tenho muitas histórias de crianças que chegaram até o meu consultório
com queixas no processo de alfabetização e muitas delas com uma motivação
zero para compreender o processo de leitura e escrita. Isso devido as suas
formulações onde o professor via isso como um erro.

Vamos falar um pouco sobre quais são essas etapas. Precisamos
começar pelo primeiro nível de escrita, o pré-silábico, que acontece quando a
criança começa a formular a sua escrita na maneira como ela compreende. Na
verdade, a criança quando você professor pede para que escreva uma palavra,
ela tenta formular e começa a escrever usando letras de forma aleatória,
símbolos ou desenhos isso quer dizer que ela está representando a escrita da
maneira como ela vê. Mas porque essa representação acontece desse jeito?
Dependendo da idade, isso se faz devido ao processo de construção e em
contrapartida existem crianças com oito, nove e dez anos, e até adolescentes
de dezesseis anos formulando sua escrita dessa forma, escrevendo
aleatoriamente uma palavra. Aqui abaixo deixo um exemplo da escrita de uma
criança nesse nível.

Esta criança queria escrever BONECO, ela escreveu utilizando várias
letras, para ela a representação da palavra BONECO é dessa forma. Em
muitos casos elas representam por desenhos, porque não sabem que as letras
podem representar a escrita, em outros casos representam com qualquer tipo
de letra achando que ali está escrito a palavra. E muitas vezes, a criança fica
nesse nível por anos.

Estive recentemente em uma prefeitura onde fizeram uma pesquisa e
descobriram que 68% das crianças do município, que estão no primeiro ciclo
de alfabetização, 1º, 2º e 3º ano, escrevem sem nenhum tipo de representação

sonora da palavra, ou seja, representam as palavras em um nível pré-silábico
ainda. Isso é uma realidade muito preocupante, pois essas crianças passaram
pela educação infantil, pelo primeiro ciclo de alfabetização no ensino
fundamental e mesmo assim ainda continuam pré-silábicas.

Atualmente temos muitas ferramentas, vários estudos já foram
desenvolvidos e eles comprovam que as crianças precisam compreender os
componentes sonoros da fala para que possam avançar em sua escrita. Elas
precisam compreender que tudo aquilo que falam podem também escrever,
que cada som, cada movimento articulatório que produzem podem ser
representados por uma letra em sua escrita ou vice-versa. É necessário que
esse processo seja conhecido pelos professores e também pelas crianças.
Quando uma criança tenta formular a sua hipótese de escrita, ela precisa fazer
relação com a sua fala e isso se dá diante de uma estruturação metodológica.

Se você enquanto professor não está tendo sucesso com seus alunos,
ao olhar e pedir que eles façam, por exemplo, um ditado, é possível verificar
que as crianças representam da forma mais criativa possível aquela palavra,
isso acontece porque não está compreendendo o processo, ou seja, essa
criança precisa desenvolver habilidades fonológicas, meta fonológicas, para
que ela possa avançar em sua escrita.
Percebo nos dias atuais que quando o professor se instrumentaliza ele
contribui no avanço das crianças nesse processo.

Certa vez uma professora da turma de 3º ano do Ensino fundamental de
uma escola municipal aqui do Rio de Janeiro, assumiu uma turma de 27
alunos, durante a realização de uma sondagem, para perceber em que nível de
escrita essas crianças estavam, ela descobriu que mais de 60% da turma
estavam no nível pré-silábico. Ela se assustou muito, pois essas crianças no
próximo ano precisariam avançar de etapa, ou seja, elas iriam para o quarto
ano e precisariam cumprir algumas exigências, entre elas, seria ler e escrever
ou pelo menos entender a escrita de uma palavra ou de uma frase. A
professora começou fazendo um trabalho estruturado e foi percebendo o
avanço dos seus alunos dia após dia. Os 27 alunos que estavam no nível pré-
silábico pouco tempo depois já estavam silábico-alfabéticos, ou seja, houve

avanço muito grande. Quando a criança alcança um nível silábico-alfabético de
escrita ela já entendeu e compreendeu que os componentes sonoros da fala
são compostos por fonemas, por sílabas e assim as palavras vão aparecendo.
Então, essa criança já domina o sistema de escrita alfabética e só precisa
continuar sendo estimulada até que alcance o nível alfabético. Esse é um
ganho muito grande e para essa professora foi muito gratificante ver o avanço,
e as possibilidades de seus alunos.

Primeiramente é necessário que seja feita uma sondagem diagnóstica,
ou seja, é preciso elaborar uma atividade específica para sua turma e a partir
dessa atividade você irá compreender como seus alunos estão pensando a
escrita e como eles a representam. Existe uma técnica específica pra isso. Se
você está diante de uma turma e não sabe como ela está pensando a escrita,
você não tem como avançá-la, é muito importante que saiba onde você está e
como seu grupo de alunos estão pensando a sua escrita para que daí você
possa montar trabalhos e estratégias metodológicas para que eles possam
avançar nesse processo. Esse é o ponto de partida para que possa se cruzar a
linha de chegada, não adianta pensar em planos de aula sem antes
compreender onde a turma está e sem entender como pode fazer para que a
turma esteja avançando nesse processo.

Venho percebendo nos cursos de alfabetização que ministro que em
geral os professores não sabem classificar, pois infelizmente a nossa formação
é falha. Daí o que acontece é que as coisas não andam como deveriam, assim
é necessário que o professor se instrumentalize para ajudar a turma. E você
professor do 3º, 4º ou 5º ano que possui em sua turma crianças assim, fiquem
tranquilo, é possível mudar esta realidade, você só precisa entender onde está
e onde quer chegar.

A próxima etapa é mostrar para vocês que é possível tirar uma criança
do nível pré-silábico para o nível silábico em apenas uma aula. Quando digo
isso, muitos professores torcem o nariz, dizem que não sei o que estou falando,
pelo contrário, eu sei sim do que estou falando, e sei que isso é possível sim,
tirar uma criança de um nível pré-silábico para o nível silábico como valor
sonoro em apenas uma aula. A primeira coisa que vou fazer é te ajudar a

classificar através da sondagem o nível que a sua turma se encontra e no
próximo momento mostrar como através de um trabalho estruturado isso é
possível. Dentro das etapas das hipóteses de escrita muita coisa precisa ser
feita. Então não pense que o semestre esta acabando, que você só tem mais
cinco meses pela frente para fazer alguma coisa por essa turma, quero dizer
que cinco meses é muito tempo e você pode sim fazer a diferença na sua
turma.

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Carla Silva
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Sou Carla Silva, tenho mais de 20 anos de experiência na educação como professora alfabetizadora, atuando na pré-escola, coordenadora pedagógica, professora no ensino Fundamental I e II, palestrante, assessoria pedagógica de professores e escolas, e

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